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São Bernardo 23/10/2008

Posted by Meire in Literatura.
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Li São Bernardo. Até que gostei, mas acho que ainda prefiro Vidas Secas.

É interessante ver “os dois lados”. Em Vidas Secas o retirante, pobre, triste, subordinado e “nem humano”. Em São Bernardo o pobre que virou proprietário, decidido, grosso, estúpido…

O mais interessante é que nos dois livros os cachorros tinham nomes de criaturas marinhas. Baleia e Tubarão!

:D

São Bernardo

São Bernardo

Vidas secas X Morte e vida severina 13/10/2008

Posted by Meire in Literatura.
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Estrutura

Ambas as obras são curtas, mas apresentam algumas diferenças na estrutura. Enquanto “Vidas secas” é apresentado em forma de prosa e o discurso é indireto livre, em “Morte e vida severina” o texto está em forma de poesia e o narrador em terceira pessoa, aparecendo apenas nas transições das partes do livro.

“Vidas secas” é dividido em capítulos, sem conexão direta entre si, como se cada um fosse um “quadro” diferente. Em estrutura circular, as personagens começam o livro e o terminam fugindo da seca. Há uma centelha de esperança quando as personagens se estabilizam na fazenda, mas ela é dissipada ao final da obra, e o que fica para o leitor é a dúvida do que vai acontecer com Fabiano e sua família e certo sentimento de que eles continuarão fugindo para sempre, andando em círculos.

Já em “Morte e vida severina”, a divisão é feita pelo aparecimento do narrador, conforme Severino muda de ambiente e/ou situação. A personagem principal começa o livro fugindo da seca, com pouca esperança ou esperança “mascarada”. Conforme ele caminha, a morte se apresenta cada vez mais cruel. Ele chega a considerar suicídio, mas se impede quando percebe que ainda há esperança em viver ao presenciar o nascimento de um menino (representando o nascimento de Jesus).

Linguagem

“Vidas secas”, assim como o clima, é seco. Sem adjetivações pesadas, a narrativa é baseada em substantivos e não há muitos detalhes. Com linguagem culta urbana, apresenta alguns poucos regionalismos e é sempre direta, “sem rodeios”.

“Morte e vida severina” é mais “musicalizada”, em redondilha maior, na maioria das vezes. Com muitos adjetivos, João Cabral tenta, ao contrário do que Graciliano fez em “Vidas secas”, caracterizar o clima, o lugar e as personagens com o uso de adjetivos. Apesar disso, não deixa de ser simples e próxima da oralidade. O título, curioso, contrapõe dois antônimos, além de fazer com que um nome próprio se transforme em adjetivo.

Tema

Ambos abordam a seca e os retirantes, mas de formas diferentes.

“Vidas secas” é mais “negativo”. Como antes já dito, ao final do livro a impressão é de que Fabiano e sua família vão para sempre continuar a fugir da seca, que este é o destino deles. Além disso, mostra como o ambiente toma conta do homem e ele se torna menos humano a cada dia que passa, a ponto de seus filhos não terem nome.

“Morte e vida severina” mostra toda a degradação humana e ambiental em função da seca, discorre sobre a miséria, a morte e o triste destino de muitos. Entretanto, ao final a esperança surge e dá a entender que, apesar de todo o mal que a seca pode causar, ainda há espaço para a vida.

Personagens

Em “Vidas secas” há a antropomorfização e a zoomorfização das personagens. Fabiano, Sinhá Vitória e os dois meninos vivem menos como uma família do que como um grupo de desconhecidos. A cachorra Baleia parece ser o elo entre os membros da família e a única que consegue ter objetivos e tentar alcançá-los.

Em “Morte e vida severina”, a personagem principal Severino caminha em direção ao Recife, pois acredita que lá a vida é menos “seca” e ele poderá, então, trabalhar e ser feliz. Ele chega a considerar trabalhar por certo período de tempo e interromper a jornada, mas decide continuar quando percebe que ele não pode fazer nada naquele lugar. Severino se considera um homem comum, tanto que, no início do livro, ele dá o máximo de detalhes sobre sua vida, para que as pessoas consigam diferenciá-lo dos demais “Severinos.” Ele se vê como um homem pobre, magro, vítima da seca.

As demais personagens do livro aparecem para contar um pouco de suas vidas e de sua situação no sertão a Severino.

Ambiente

Tanto em “Vidas secas” como em “Morte e vida severina”, o ambiente predominante é o árido.

Em “Vidas secas” há um período de chuvas e fertilidade, em que Fabiano e sua família ficam na fazenda cuidando do gado. Ao final do livro, entretanto, o período de seca volta, o que acarreta a nova fuga da família.

Em “Morte e vida severina”, Severino sai da Paraíba em direção a Recife. Conforme ele anda, o ambiente fica um pouco mais “verde” e mais fértil, mas ainda carrega traços de seca.

Período literário

“Vidas secas” pertence à segunda geração do Modernismo (1930-1945). Esta fase é a que apresenta características regionalistas e crítica social. Graciliano Ramos combina crítica com análise psicológica, assim como Machado de Assis, numa linguagem enxuta, objetiva. Não indica exatamente onde a história de “Vidas secas” se passa, para que a história não seja apenas regional, voltada para a seca, mas se torne uma história universal, sobre sofrimento e degradação humana.

“Morte e vida severina” pertence à terceira geração do Modernismo (1945), em que as obras são, em sua maioria, regionalistas, mas, ao mesmo tempo, universalistas, por abordarem temas não necessariamente brasileiros. Difere da Segunda Geração do Modernismo quanto, por exemplo, ao uso da metalinguagem, anteriormente ausente. João Cabral é conhecido por ser um poeta exato, objetivo, rígido com seus poemas, com poucos detalhes e muitos substantivos. Em “Morte e vida severina”, entretanto, faz um poema mais “sensorial”, com presença de adjetivos e até certo sentimentalismo.